Inteligência arttificial e a ética na triagem para o transplante de órgãos

Apresentação de Filipe Gustavo para a I Edição Conexões Académicas 2025

Baseada no artigo científico: Cambaza, E. M., & Gustavo, F. F. G. (2024). Inteligência artificial: ética do seu uso na triagem para o transplante de órgãos. In Temas de Pesquisa em Bioética (pp. 51-66). https://doi.org/10.37885/241118117

Apresentação

A inteligência artificial (IA) tem sido progressivamente integrada na triagem de candidatos a transplantes de órgãos, oferecendo rapidez e precisão na análise de dados. No entanto, há preocupações éticas sobre transparência, justiça e potencial reforço de preconceitos históricos (Khan et al., 2024; Srinivasu et al., 2022). Este estudo analisa os dilemas éticos relacionados ao uso da IA na seleção de receptores de órgãos, propondo soluções para garantir a equidade e a segurança dos pacientes (Williamson & Prybutok, 2024).

Metodologia

O estudo seguiu uma abordagem qualitativa, utilizando o software Atlas.ti para revisar literatura académica entre 2015 e 2024. Foram analisadas fontes de bases de dados como Google Scholar, Scopus e PubMed. A investigação centrou-se nos princípios bioéticos de autonomia, beneficência, não-maleficência, justiça e respeito por grupos vulneráveis (Gerke et al., 2020).

Resultados e Discussão

A IA pode melhorar significativamente os processos de triagem, reduzindo tempos de espera e aprimorando taxas de sobrevivência pós-transplante (Carlson et al., 2022; Fuchs et al., 2024). No entanto, a falta de transparência dos algoritmos ("caixas pretas") gera desconfiança e pode replicar desigualdades preexistentes, afectando principalmente grupos socioeconómicos vulneráveis (Aluru, 2023; Naik et al., 2022).

Conclusão e Recomendações

A solução mais eficaz é um modelo híbrido, combinando auditorias frequentes, transparência (“caixa branca”) e regulamentação específica. Isso equilibra eficiência e ética, reduzindo vieses e promovendo a confiança na tecnologia. Essa abordagem garante que a IA seja utilizada para melhorar a vida dos pacientes sem comprometer princípios bioéticos fundamentais.

Referências

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